quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Está sendo desvendado o mistério do núcleo magnético da Terra

Está sendo desvendado o mistério do núcleo magnético da Terra
Quando Júlio Verne escreveu "Viagem ao Centro da Terra" a mais de 100
anos
atrás, ele imaginou um lugar de cristais brilhantes e um mar
turbulento, com
animais pré-históricos e cogumelos gigantes. O que realmente estava
sob
nossos pés era um enigma completo. Até hoje os cientistas
surpreendentemente
sabem mais sobre os anéis de Saturno do que sobre o núcleo do nosso
planeta.
Mas isso está começando a mudar. "Estamos em uma época de ouro em
termos da
descoberta real da maior parte do interior da Terra", diz o Sismólogo
e
Professor Rick Aster. E surpreendentemente, nem tudo que Verne
imaginava
estava errado.
Querer descobrir a verdade sobre o centro do nosso mundo é um desejo
tão
básico do ser humano como o de querer saber o que tem na Lua, embora
este
último revelou-se muito mais fácil de explorar. Mas os cientistas
também
estão fascinados com o núcleo da Terra, pois ele é responsável pela
criação
do campo magnético do nosso planeta que é vital para o surgimento da
vida.
Ele é uma poderosa ferramenta para a navegação, ajuda as abelhas a
encontrarem suas colméias, enquanto as tartarugas marinhas, pássaros e
borboletas usam-no para migrar sobre enormes distâncias.
Ele também atua como uma barreira protetora entre nós e alguns dos
perigos
do espaço, protegendo-nos das radiações dos ventos solares.Fisicamente
viajar para o núcleo tem se mostrado uma missão impossível, por causa
do
aumento rápido das pressões e temperaturas. Mesmo com a perfuração
remoto, o
mais profundo que conseguimos penetrar foi 12 Km - em Superdeep Kola,
um
furo na Rússia - míseros 0,2% do caminho para o centro da Terra.Mas a
sismologia permitiu aos cientistas entrarem diretamente em contato com
o
núcleo do planeta. As ondas sísmicas geradas durante grandes
terremotos
viajam de um lado da Terra para o outro, permitindo aos cientistas
construir
uma imagem do seu interior.
*Metal fundido*

A Sismologia tem nos auxiliado muito, diz Aster, "mostrando-nos que a
Terra
tem uma parte derretida, um enorme oceano de metal quente branco
derretido
que é quase como a água". Este núcleo é tão grande como Marte. Mas -
como
uma boneca russa - um outro núcleo foi encontrado dentro dele. Uma
bola de
metal sólido quase do tamanho da Lua. Os cientistas acreditam que o
núcleo
interno sólido é feita de uma liga de ferro-níquel e que possui a
forma
atual devido as condições extremas no centro da Terra,o Professor Kei
Hirose
pôs-se um desafio aparentemente impossível: recriar as condições do
núcleo
em seu laboratório no síncrotron SPring-8 perto de Osaka, no Japão.
Após 10
anos de tentativas, ele finalmente conseguiu.
Ele criou um aparelho-incrivelmente poderoso usando as pontas de dois
diamantes. Entre eles uma amostra de ferro-níquel foi submetida a três
milhões de vezes a pressão atmosférica e a amostra foi aquecida a
cerca de
4.500 C.Sob essas condições extraordinárias, a estrutura de cristal da
liga
ferro-níquel mudou e os cristais cresceram rapidamente em tamanho.
"Podemos
ter cristais muito grande no centro da Terra, talvez de até 10
quilômetros",
diz Hirose.Estes cristais seriam todos alinhados "como uma floresta",
diz
Hirose, apontando para os pólos.A maior parte do campo magnético da
Terra é
gerado no interior, e não no metal fundido do núcleo externo. Isto age
como
um dínamo eletromagnético maciço alimentado pela rotação da Terra e o
arrefecimento de longo prazo do planeta.
Mas, embora o princípio básico seja compreendido, os detalhes de como
os
movimentos de metal fundido ocorrem são ainda um mistério. Como a
Terra gira
e perde calor do centro, padrões complexos de fluxo são criados dentro
deste
vasto oceano. "Você pode pensar que o núcleo seja como a atmosfera da
Terra,
sendo um lugar muito agitado, com tempestades e frentes de mau tempo",
diz o
geofísico Professor Dan Lathrop da Universidade de Maryland. Ele
construiu
um modelo do núcleo para ajudar a explicar algo estranho sobre a sua
massa -
ela não é fixa, mas sim possui valores constantemente flutuantes. O
campo
magnético da Terra tem enfraquecido nos últimos 180 anos.
E há um local que está enfraquecendo mais rápido do que qualquer
outro. É
uma área que os cientistas apelidaram de "South Atlantic Anomaly", que
se
senta sobre o Atlântico Sul e o centro da América do Sul. É um risco
conhecido para as naves espaciais, porque cria um distúrbio no campo
magnético, permitindo que partículas carregadas sejam enviadas para
dentro
das mesmas e prejudiquem os seus aparelhos eletrônicos e
instrumentação.
Fonte:http://www.bbc.co.uk
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